viernes, 27 de julio de 2007
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
(Luís de Camões)
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como ?
sábado, 21 de julio de 2007
Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas,pendoes ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do oriente,em brasa,como beijos,
Mares onde nao cabem teus deseijos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de herois e marinheiros,
Lanças nuas em rutilos lampejos;
Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a India,a visao do infante em sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!
E ao sentir-te tao grande, ao ver-te assim,
Amor , julgo trazer dentro de mim
U pedaço da terra portuguesa!
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